Para ler:
Alucinações Musicais

Esse é meu mais novo instrumento de diversão e informação. Ganhei o livro de uma amiga, que achou que se parecia comigo. Acertou em cheio! Além de adorar os livros do Oliver Sacks, este, em especial, fala de música! Já presenteei dois amigos — pra quem, aliás, a música é profissão — e sei que não vou ler só uma vez. Recomendo não só pra quem gosta ou trabalha com música.


Para ouvir:
Sortimento

Difícil afirmar isso, principalmente pra uma fã tão incondicional como eu, mas tenho considerado muito a possibilidade de encarar o Sortimento como o melhor disco da Zélia Duncan. Diria que é um dos discos obrigatórios de quem gosta da “nova” música brasileira.


Para ver:
Ponte para Terabitia

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É um belo filme. Aos que dizem que não é para crianças, acho que posso dizer que as crianças que eu vi assistirem gostaram tanto, que repetem seguidas vezes. Um filme sobre amizade, sobre amor e sobre como dar a volta por cima.

Ponte para Terabítia


AAAII! QUE SAUDADE DAS MINHAS FILHAS!

31 de janeiro de 2010

Tem sido assim desde a primeira vez que elas viajaram sem nós.

Acho que começou com a Helena indo ao Rio com a tia Jodette, pequena, logo depois que a Heloísa nasceu. É claro que tínhamos muito em que pensar, com um bebê de um mês em casa, mas, mesmo assim, foi dolorido. Só que foi rápido. Mais difícil que a saudade foi aguentar a preocupação, já que a Heloísa nasceu no dia seguinte àquele famoso sequestro do ônibus, que terminou com a morte da refém e do sequestrador.

Depois, quando elas foram para a praia, aí foi um exagero! Morávamos na casa, ainda. Aquela casa era grande, mas ficou enorme sem elas! Na primeira semana sentimos muito o vazio. Nas duas seguintes, depois de acostumarmos, aproveitamos um pouco a forçada lua-de-mel: saímos, fomos ao cinema, acordamos tarde… Mas, na última, já estava doído demais.

Dessa vez, elas foram para ficar dez dias. Na hora do combinado, achei que seria o prazo ideal. Não é tão curto como uma semana, dá para aproveitar e ter vontade de voltar para casa. E a gente fica com saudade, mas sabe que elas voltarão logo.

Ontem à noite cheguei a ouvir a Heloísa tossindo. Hoje de manhã, naqueles sonhozinhos de quando a gente ainda não quer levantar, senti, no sonho, a Helena deitada do meu lado e o meu beijo em sua bochecha.

Então, eu percebi que não importa o tempo programado para a viagem delas. A gente vai se adaptando a esse tempo, para sobreviver a ele. Espera um pouquinho pra começar a sofrer, mas não consegue evitar. Eu sou assim. Vou ficando deprimidinha, com uma melancolia… E aí me dou conta de que é só saudade, mesmo. Da boa!

Que é que eu posso fazer, se amo minhas filhas?

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O 2009 do Cantus Firmus

23 de dezembro de 2009

Desde ontem, quando nos despedimos depois da última cantata de Natal desse ano, estou com vontade de escrever sobre o Cantus. Mas o quê?
Acordei e vi um email da Isabela, emocionante e pleno.
Depois ouvi no rádio o seguinte:

“ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
e levo essa certeza de que muito pouco eu sei,
que nada sei (…)
cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz”

Esse grupo é muito mais do que seus tropeços e suas dificuldades.
Estivemos juntos muitos dias desde a viagem a Buenos Aires.
Nem todos estavam em corpo.
Mas nossa alma estava lá, nas músicas repetidas inúmeras vezes, nas plateias frias e nas emocionadas, no frio ou na chuva, na acústica boa e na ruim.

As serenatas, que podiam ser apenas um compromisso a mais, revelaram que o que fazemos de melhor é dar nosso amor por cantar e nosso coração aos outros, sejam nossos amigos, amigos dos nossos amigos, ou apenas alguns desconhecidos.

Vamos tocar em frente. Em 2010 completamos nossos 18 anos, e vamos ter muitas e muitas e muitas emoções ainda pra viver.

Aqui, quero dar um agradecimento especial a cada um dos cantusianos, esses que sabem o que é ser parte desse grupo, e àqueles que o são de coração, mesmo sem cantar, mas que sempre se emocionam quando nos ouvem, e sempre estão lá pra nos estimular a continuar juntos.

E agradecer também aos que vieram neste ano pra somar muito nesse carinho (e nesse caminho): Rubinho, Beto, Marcelo e, como não, Ramon e Daniel, que chegaram no meio do segundo tempo e na prorrogação, mas já viveram alguns dos nossos melhores momentos.

E, para encerrar o ano como ele merece, nada melhor que um bebê, que é a figura mais representativa da esperança e da renovação. Mais um pra compor o rol dos filhos que nos acompanham e ilustram nosso crescimento.

2009 foi muito feliz. Que venha 2010!

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Cem anos de solidão

20 de novembro de 2009

Estou relendo Cem Anos de Solidão.

É inacreditável a capacidade do Gabriel García Marquez de falar de tantas coisas e de tantas pessoas. O tempo e o eixo da narrativa mudam tão rapidamente que fica difícil ter certeza do que se está lendo.

Quando comecei a primeira página, tinha a impressão de ter voltado no tempo, tão cristalina foi a sensação de reconhecimento. Agora, no entanto, parece ser um texto inédito.

E pensar que, lá pelos vinte e uns anos, eu li quase todos os livros dele que já tinham sido publicados. Acho que já tinnha essa cabeça meio doida, sempre cheia de um trilhão de pensamentos, mas ainda não tinha me dado conta dela.

Ainda não tinha feito análise! Ui, acho que não quero mais voltar a fazer. Acho que, como na canção do Cazuza, vou desistir do analista, “pra nunca mais ter de saber quem eu sou”. Bem, na verdade isso não combina nada comigo. Prefiro continuar me conhecendo. Mesmo que seja com o inevitável sofrimento da terapia analítica.

Aqui no entanto nós não olhamos para trás por muito tempo,
nós continuamos seguindo em frente,
abrindo novas portas e fazendo coisas novas,
porque somos curiosos…
E a curiosidade continua nos conduzindo
por novos caminhos.
Siga em frente.
” (Walt Disney)

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Fim do ano?

20 de novembro de 2009

Há vinte dias estava embarcando para a Argentina. Há dez dias chegava de lá. Parece que foi ontem que fui, parece que foi ontem que cheguei. Muito piegas e muito óbvio dizer que o tempo está passando depressa.

Só que esse final de ano está parecendo mais um começo. Cheinho de coisas novas acontecendo todo dia.

Ontem, quando fui ao trabalho da minha irmã, encontrei uma colega de curso de taquigrafia que foi nomeada lá há alguns meses. Conversamos sobre a mudança em sua vida. E sobre a que virá na minha. E sobre a mudança pela qual uma das minhas colegas de aprovação resolveu não passar.

Saí de lá com uma sensação de estranheza. A minha vida vai mudar mesmo, da água para o vinho, pelo menos do ponto de vista prático. E eu sei que vou continuar sendo a mesma pessoa em essência. Vou gostar de observar as pessoas. Vou gostar de ouvir as crianças e de vê-las brincar. Vou ficar fazendo diagnósticos e respondendo a dúvidas fonoaudiológicas quando meus amigos perguntarem. Vou sentir muita, muita falta dos meus pacientes.

Mas foi uma escolha bem pensada, bem fundamentada. Todos os dias, nas minhas orações de agradecimento, peço a Deus pra me dar serenidade pra lidar com essa nova realidade. E pra tirar proveito das dificuldades tanto como das facilidades. Como tem sido há muito tempo.

E que venham as muitas emoções desses últimos dias de 2009!

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King of Pain

19 de novembro de 2009

“There’s a little black spot in the sun today
Is the same old thing as yestarday.
(…)
I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running ’round my brain
I guess I’m always hoping that you’ll end this reign
But it’s my destiny to be the king of pain”

Hoje, quando é mais do que claro o teor depressivo e suicida dessas letras, eu fico pensando por que gostava tanto delas a ponto de aprender a cantar, e por que gosto tanto, ainda hoje. Me lembrei de quando descrevi que certas canções que a gente ouve são doídas, e que isso as torna lindas. Por que têm que ser doídas?

Eu continuo sem saber. Mas continuo adorando tudo isso.

Uma das mais depressivas de todas é também uma das mais lindas declarações de amor.

“Take me out tonight
Because I want to see people
and I Want to see life
Driving in your car
Oh, please don’t drop me home
Because it’s not my home,
it’s their Home,
and I’m welcome no more

And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure and the privilege is mine.”

Como pode a coisa mais linda que o cara tem a dizer a quem ama é que certamente seria o máximo morrer a seu lado?

E o pior é que eu acho mesmo isso. Mas não tem nada a ver com desejo de morrer (os psicanalistas que não me leiam, porque certamente vão encontrar aqui uma denegação!). Tem a ver com o desejo de declarar tão fortemente o sentimento que se cultiva por outra pessoa.

Hoje, editando um perfil no Facebook, coloquei como filmes preferidos uns cinco que, direta ou indiretamente, falam de morte. Coincidência? Muito provavelmente não.

O que me parece é que amadurecer tem me feito ter mais tranqüilidade com relação ao fato de que vamos morrer, inevitavelmente. E, como espírita que sou (mesmo sem ter ainda me aprofundado no estudo da doutrina), não tenho medo do que virá. Ao contrário, tenho a sensação de que ainda tenho que viver muito essa vida pra aprender ainda muito mais.

Aprender a reconhecer erros e corrigi-los, a reconhecer acertos e multiplicá-los, a valorizar sempre e cada vez mais as preciosidades que minha vida me reserva.

Estou um tanto filosófica, nostálgica e verborrágica. Uma conjunção de fatores.

Bem que eles podiam ser inspiradores pra escrever mais. Que é uma das coisas que mais gosto de fazer.

“There’s a light that never goes out.”

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Insônia

29 de outubro de 2009

Estava lendo o blog da Tati e revi que ela termina sua autodescrição com um “insone crônica confiante na cura”.

Irresistível!

São 4:10 da manhã, e já é a quarta noite em que me levanto durante as horas em que deveria estar dormindo.

Hoje só não estou me sentindo mais mal porque não atendo ninguém na quinta. É muito constrangedor estar exausta na frente de seu paciente.

Mas nesta noite recebi um desses e-mails que são mandados pra todo mundo, com uma prece e palavras boas de esperança. Toda vez que estou nesse limite de preocupação - não exatamente de desesperança -, algum amigo distante, que nunca me escreve nem pra mandar bobagens, envia um desses lembretes. Acho que estou mesmo sempre protegida por esses bons pensamentos, pra não fraquejar, nem chamuscar os miolos de preocupação.

Fico feliz com essa visão das coisas, com a qual venho convivendo há algum tempo.

Mas seria muito bom se, junto com ela, eu também conseguisse dormir!

Por Vanessa em Sem categoria | 2 Comentários »


Família, família, vive junto todo dia, nunca perde essa mania!

4 de setembro de 2009

Minha irmãzinha (de 28 anos!) faz aniversário dia 12 de agosto. Mora longe, no sul do país. Neste ano, resolveu nos presentear com sua presença no seu aniversário. Fomos vê-la e a meu outro irmãozinho quando chegaram, no dia 11; dia 12 saímos; no fim-de-semana almoçamos juntos; enfim, nos vimos várias vezes antes de o Rômulo ir embora.

A Madi, no entanto, resolveu ficar mais tempo, um tempo quase indeterminado. E ficou parecendo que ela morava aqui. Estava do outro lado da linha telefônica, era fácil falar e marcar alguma coisa. De modo que os encontros, embora ainda freqüentes, deixaram de ser diários. Afinal, a gente se acostuma a que o outro, comumente distante, esteja sempre presente.

Ontem, no almoço de aniversário do papai, era ela quem pegava talheres, pratos, vela e fósforo para o bolo. É a ela que a Anita recorre pra saber o que fazer de almoço. Tipo, a outra dona da casa.

Só que aí ela marcou a passagem de volta. E agora que o tempo está se esgotando, estou lamentando não ter esgotado a vontade de ficar junto, não ter visto todo dia, meio assim pra enjoar, mesmo. Aí não ia ser tão ruim despedir…

Temos aprendido, em nossa família, a aproveitar mais o tempo que nos é permitido usar para nos ver, conversar, saber da vida um do outro, não para se intrometer, mas para interessar-se. Os almoços na casa do papai são já bem naturais, bem comuns. No Natal passado os irmãozinhos vieram e ficaram um tempão, hospedados em nossas casas, das irmãs maiores. Neste ano eles vieram fora de época.

Eu não sei bem por que essa mania de querer estar junto todo dia. Mas sei que é bom estar com eles. Muito bom.

Por Vanessa em Lá em casa | 5 Comentários »


Palavras de crianças…

4 de julho de 2009

Minha sobrinha, que tem 10 anos, comentando que, na escola, os meninos estavam chamando o Michael Jackson de gay: “Não é justo chamarem ele de gay, não tem nada a ver. Afinal, ele nunca namorou um cara! Ele só abusava das criancinhas!”

Não é uma ótima definição?

Por Vanessa em Sem categoria | 1 Comentário »


É hoje!

24 de junho de 2009

Como já falei aqui algumas vezes, a-do-ro cantar em coral, gosto demais da conta de cantar no Cantus Firmus, porque lá o trabalho é pesado, mas o resultado é muito compensador.

E hoje, depois de muito tempo, teremos um concerto só nosso, com muitas músicas, peças novas e estréia de gente nova no grupo.

Estou ansiosa, de um jeito gostoso.

Cantar é muito bom! Com bons amigos, então, nem se fale.

convite

Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »


O Catadores de Conchas

3 de junho de 2009

Há mais ou menos dois meses, me vi numa crise de abstinência de leitura. Não achava, em casa, nenhum livro novo que me atraísse. Decidi ler O Código Da Vinci, do qual já tinha ouvido falar bastante, mas nunca tinha lido. Interessante que coincidiu com o período de Páscoa, bem adequado pra refletir sobre a fé cristã. =) Adorei o livro, mas durou poucos dias. Uma história batida, já muito comentada, mas um texto que atrai a atenção. Um atraente romance policial, independente do tema polêmico e intrigante.
Aí, novamente a abstinência. Depois de muito relutar, resolvi reler Os Catadores de Conchas.
Não sei porque gostei tanto desse livro. O texto é chato, chatíssimo, em alguns trechos, e cheguei a me questionar se não seria só a tradução que era ruim. Talvez, em parte, mas certamente o texto original deve ter também seus inúmeros clichês. Nenhum tradutor seria tão criativo!
De qualquer forma, reli todo, com mais calma, já que a história já era conhecida. E de novo me vi admirada com ele.
Terminei ontem, e fiquei um tempão pensando nisso. É a personagem central. Uma mulher de 64 anos, revendo o passado depois de se recuperar de um infarto. Pensando em quê pode ter errado na criação dos filhos, no sofrimento de perder a mãe na guerra, num casamento que não deveria ter acontecido e num amor que não pôde ter futuro também por causa da guerra.
É uma personagem que me fascinou. Acho que mais pelas associações pessoais (minha mãe, eu mesma como mãe) do que pela história, propriamente dita.
Não sei se recomendaria a leitura novamente, como o fiz há dez anos. O texto é realmente chato. Mas foi uma das histórias que me marcaram, mesmo agora, ao ler novamente. Em cada fase, uma razão. Agora, aos 40, acho que fica mais evidente a necessidade de deixar uma marca na vida das minhas filhas, algo de que elas possam se lembrar quando eu já tiver partido.
Hoje, acredito que tenha conquistado esse desejo. Elas terão do que se lembrar.

Por Vanessa em Sem categoria | 4 Comentários »




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