Para ler:
Alucinações Musicais

Esse é meu mais novo instrumento de diversão e informação. Ganhei o livro de uma amiga, que achou que se parecia comigo. Acertou em cheio! Além de adorar os livros do Oliver Sacks, este, em especial, fala de música! Já presenteei dois amigos — pra quem, aliás, a música é profissão — e sei que não vou ler só uma vez. Recomendo não só pra quem gosta ou trabalha com música.


Para ouvir:
Sortimento

Difícil afirmar isso, principalmente pra uma fã tão incondicional como eu, mas tenho considerado muito a possibilidade de encarar o Sortimento como o melhor disco da Zélia Duncan. Diria que é um dos discos obrigatórios de quem gosta da “nova” música brasileira.


Para ver:
Ponte para Terabitia

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É um belo filme. Aos que dizem que não é para crianças, acho que posso dizer que as crianças que eu vi assistirem gostaram tanto, que repetem seguidas vezes. Um filme sobre amizade, sobre amor e sobre como dar a volta por cima.

Ponte para Terabítia


Doadores

11 de maio de 2011

Assisti a uma entrevista que a Marília Gabriela fez com a Drica Moraes. Falaram, claro, sobre a leucemia.

Um trecho que destaco, entre os muitos que foram comoventes, foi aquele no qual a Drica Moraes diz que fica muito grata por as coisas mais importantes de sua vida – a medula óssea nova e o filho Mateus – terem vindo de pessoas desconhecidas.

Ouvindo a entrevista, fiquei meio orgulhosa – e me envergonho um pouco por isso – por ter  me inscrito, uns meses atrás, no banco de doadores de medula óssea. Pode ser meio piegas o que eu vou dizer, mas é muito, mas muito importante haver mais e mais doadores.

Claro que não temos controle total sobre a duração da nossa vida. Claro que, de modo geral, o que tem de ser, é. Mas mesmo assim é bom haver pessoas que doam saúde para outras.

Ouvindo a Drica Moraes, fica evidente o quanto receber o transplante de medula óssea é apenas o começo de um longo processo de cura. Há muitos exames de controle, muitas restrições de convívio, de atividades físicas, de alimentação, até de cuidados de beleza. A prova não acaba com o transplante.

Fiquei tranquila de fazer parte dessa turma que se ofereceu como doador de medula. Agora só falta estabelecer a prática de doar sangue regularmente, uma das metas que me impus há alguns meses.

Assim que passar o prazo pós-tatuagem, vou ao hemocentro.

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Arrumação

27 de fevereiro de 2011

Estamos de mudança. Não de casa, mas de quartos dentro da casa.
Temos que transportar um quarto inteiro de trecos e tranqueiras para dois armários que nem vão do chão ao teto.
A parte boa: livrar-se do lixo e encontrar relí­quias, como páginas de um caderno de receitas e de escola escrito em 1981, com a minha letra e com a letra da mamãe.
Quando me mudei para Brasília, algumas das minhas caixas se extraviaram, e eu fiquei sem coisas do meu passado – diários, cadernos, bilhetes, várias coisas.
Simbólico demais. Era uma mudança de vida, e aquela acabou ficando mais para trás do que o planejado.
Então eu gostei de achar umas poucas coisas antigas, como revistas da mamãe de tricô e crochê (resgatadas já há alguns meses) e esses fragmentos do caderno com receitas.
Estou cansada demais. Vou tentar dormir.

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Filmes que já vi este ano

1 de fevereiro de 2011

Há muito tempo havia uma revista de cinéfilos, não lembro o nome, que parecia muito com a minha mãe. Ela adorava filmes, e tinha um bom repertório.

Quando a Globo lançou o especial 100 Anos Luz, no centenário do cinema, eu via e ficava pensando na mamãe.

Nessa revista houve uma matéria, acho, que sugeria que a gente anotasse os filmes que viu, com as informações principais e um comentário breve.

Hoje já é possível dispensar as informações, já que há vários sites sobre cinema. Mas o comentário é uma coisa boa, pra lembrar e rever mais tarde. Quem sabe até rever a opinião, depois que se assistir novamente ao filme.

Então, vou tentar registrar os filmes que vi neste ano de 2011.

O primeiro foi Things we lost in the fire, que em português ficou Coisas que perdemos no caminho. (Eu poderia dizer que só o Benício del Toro já vale o filme, mas fiquei meio insegura, depois que vi o trailer de O Lobisomem.)

Eu gostei muito do filme, porque é do tipo que eu gosto, filme de personagens, mais do que de história. E mesmo assim tem um bom roteiro e uma boa fotografia. E o Benício del Toro está mesmo excelente, assim como os outros atores.

Esse é um que eu recomendo.

Aproveito para agradecer à Amanda, minha maninha, pela dica. (Beijo, querida. Saudades de você.)

O outro foi O segredo dos seus olhos. Esse é mais difícil de descrever. Há os atores, que são bons, e os personagens, que foram bem caracterizados, a ponto de não sabermos ao certo se foram envelhecidos, rejuvenescidos, ou os dois.

Mas há algo mais profundo, que é a história de amor (ou as histórias de amor) por trás de uma história de violência. Um filme envolvente, tanto pelo mistério como pelas relações que se estabelecem entre as pessoas.

Também gostei muito dele. E também recomendo.

(Vamos ver se vou lembrar de falar daqueles de que não gostei.)

=)

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Tim Maia, o som e a fúria

1 de fevereiro de 2011

Terminei de ler o Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia, do Nelson Motta. Eu ganhei de Natal do Rômulo, meu compadre e irmão, o Noites Tropicais, também dele, mas, como já tinha, troquei por esse, que ele também tinha pensado em me dar.

Gostei da leitura, porque o Nelson Motta escreve com muita facilidade. Mas o Tim Maia era uma pessoa muito peculiar. Foi difícil avaliar as emoções e os sentimentos em relação a ele. Apesar de não ter nenhuma direito e nenhuma necessidade de avaliar ninguém, assim como ele também não vivia para ser avaliado, fiquei com sentimentos bem ambíguos.

O cara tinha uma maneira toda particular de tratar as pessoas. Ajudava muita gente, mas também dava o cano em outras tantas pessoas. Era muito bom de música, mas nos maus momentos lançou discos com reprises ou regravações bem mais ou menos, para ter o que lançar. E, mais do que tudo, cuidou muito mal de seu corpo e sua saúde, e só parou para pensar nisso de verdade quando já não dava mais tempo de reverter os danos. Muito louco.

Mas o bom desses dois livros que li do Nelson Motta foi reviver muita coisa que de fato acompanhei, já que era louca por música, especialmente no Noites Tropicais, mas também nesse do Tim Maia. Deu saudade de muita coisa boa, e vontade de baixar vários discos antigos.

=)

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A SEAE

1 de fevereiro de 2011

Tenho sempre saudade deste Atalanta, e às vezes me animo a deixá-lo ativo novamente.

Revendo os rascunhos, encontrei esse texto aí embaixo, sobre o Meet Joe Black, e concluí que, se fosse escrito hoje, seria um tanto diferente.

Depois de frequentar a SEAE durante um semestre inteiro, fui modificando meu modo de pensar sobre a morte, que hoje não vejo senão como uma passagem, um momento para uma nova etapa.

Não temer a morte me conforta, por causa da certeza de continuidade. Mas sei que tenho um longo caminho a percorrer, para aprender a lidar com as fragilidades de hoje.

O fato de estar de férias do Cantus me traz apenas esta alegria: poderei continuar na SEAE aos sábados por mais alguns meses, conhecendo pessoas e conceitos, ouvindo e, se Deus quiser, aprendendo sempre.

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Encontro Marcado (Meet Joe Black)

1 de fevereiro de 2011

(Post escrito em 2008, e revisto hoje.)

Recentemente, comprei um dvd triplo com Encontro Marcado, Amor Além da Vida e Por Amor. Na verdade já faz uns meses, e só na semana passada lembrei de assistir.

(…) Comecei a escrever isso há quase um mês, mais ou menos na época em que assisti ao filme. E foi num momento peculiarmente interessante, em que o tema morte estava se fazendo presente em situações as mais diversas. Houve aquele assassinato da adolescente em São Paulo, eu comecei a cantar num coral espírita e surgiram assuntos da Doutrina, e eu estava lendo A Poderosa e a avó da menina morre. Enfim, não lembro mais, pelo menos não detalhadamente, mas houve outros exemplos.

Aí fomos ver Meet Joe Black, ou Encontro Marcado, como foi chamado no Brasil. Eu não lembrava que era tão bem humorado. O tema é pesado, a morte vir buscar o cara e fazer um acordo com ele? Fala sério! Mas tem um humor muito maneiro, fora que o Brad Pitt está demais de lindo! E, pra que o Marcus não fique enciumado, devo admitir que a atriz, a Claire Forlani, também está linda, de um jeito até desconcertante.

Eu amei! De novo. E é bom ter, para ver o quanto quiser. Se pensarmos bem, é muito mórbido receber a visita da morte e saber que ela só está à espera do melhor momento pra nos levar embora. Mas, como eu não tenho medo de morrer, achei bom ver outras maneiras de representar esse momento de conformidade com o fato de que, na vida, a única certeza que temos é a de que vamos morrer. E, com uma Morte tão divertida e espirituosa, a morbidez ficou bem leve e agradável.

Como espírita, eu não acredito nessa entidade A Morte. Mas o simbolismo de ter uma pessoa encarnando a morte ficou coerente, fez um sentido confortador. E a trilha é muito boa, especialmente a execução do Israel Kamakawiwo’ole de Somewhere over the rainbow e What a wonderful world.

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Ai, que preguiça!

8 de outubro de 2010

Ai, que preguiça que eu tenho de gente que adora reclamar, reclamar, reclamar…

No último fim de semana, num grupo de estudos do Livro dos Espíritos, uma colega comentou de uma fala de um pastor, que era mais ou menos assim: em vez de ficarmos amaldiçoando os políticos ruins, seria bom se nós fizéssemos uma mentalização, desejando que eles sejam iluminados e mudem sua conduta. Essa é uma forma resumidíssima de dizer isso. Mas faz sentido. Se podemos desejar coisas impossíveis, porque acreditamos na sua possibilidade, por que não desejar, uma vez que o povo não pôde escolher melhor, que pelo menos os políticos possam agir melhor?

Mas o meu objetivo, na verdade, ao sentar aqui para escrever, foi falar da reclamação do povo sobre a não obrigatoriedade de se levar o título de eleitor para votar. Ora, não ser obrigado a levar não é igual a não poder levar. E mais: não ser necessário levar não implica que o título não tenha importância. Você pode não ter o papel, mas precisa ter o registro, porque, sem ele, aí sim é que não pode votar.

Que tal reclamar de coisas mais significativas? E, de quebra, propor soluções?

A minha proposta é que, no novo registro de identidade que vem por aí, o do chip, se possa colocar todos os outros registros, pelo menos até termos um registro único, a partir da nossa impressão digital, feito quando a gente nasce.

=D

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AAAII! QUE SAUDADE DAS MINHAS FILHAS!

31 de janeiro de 2010

Tem sido assim desde a primeira vez que elas viajaram sem nós.

Acho que começou com a Helena indo ao Rio com a tia Jodette, pequena, logo depois que a Heloísa nasceu. É claro que tínhamos muito em que pensar, com um bebê de um mês em casa, mas, mesmo assim, foi dolorido. Só que foi rápido. Mais difícil que a saudade foi aguentar a preocupação, já que a Heloísa nasceu no dia seguinte àquele famoso sequestro do ônibus, que terminou com a morte da refém e do sequestrador.

Depois, quando elas foram para a praia, aí foi um exagero! Morávamos na casa, ainda. Aquela casa era grande, mas ficou enorme sem elas! Na primeira semana sentimos muito o vazio. Nas duas seguintes, depois de acostumarmos, aproveitamos um pouco a forçada lua-de-mel: saímos, fomos ao cinema, acordamos tarde… Mas, na última, já estava doído demais.

Dessa vez, elas foram para ficar dez dias. Na hora do combinado, achei que seria o prazo ideal. Não é tão curto como uma semana, dá para aproveitar e ter vontade de voltar para casa. E a gente fica com saudade, mas sabe que elas voltarão logo.

Ontem à noite cheguei a ouvir a Heloísa tossindo. Hoje de manhã, naqueles sonhozinhos de quando a gente ainda não quer levantar, senti, no sonho, a Helena deitada do meu lado e o meu beijo em sua bochecha.

Então, eu percebi que não importa o tempo programado para a viagem delas. A gente vai se adaptando a esse tempo, para sobreviver a ele. Espera um pouquinho pra começar a sofrer, mas não consegue evitar. Eu sou assim. Vou ficando deprimidinha, com uma melancolia… E aí me dou conta de que é só saudade, mesmo. Da boa!

Que é que eu posso fazer, se amo minhas filhas?

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O 2009 do Cantus Firmus

23 de dezembro de 2009

Desde ontem, quando nos despedimos depois da última cantata de Natal desse ano, estou com vontade de escrever sobre o Cantus. Mas o quê?
Acordei e vi um email da Isabela, emocionante e pleno.
Depois ouvi no rádio o seguinte:

“ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
e levo essa certeza de que muito pouco eu sei,
que nada sei (…)
cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz”

Esse grupo é muito mais do que seus tropeços e suas dificuldades.
Estivemos juntos muitos dias desde a viagem a Buenos Aires.
Nem todos estavam em corpo.
Mas nossa alma estava lá, nas músicas repetidas inúmeras vezes, nas plateias frias e nas emocionadas, no frio ou na chuva, na acústica boa e na ruim.

As serenatas, que podiam ser apenas um compromisso a mais, revelaram que o que fazemos de melhor é dar nosso amor por cantar e nosso coração aos outros, sejam nossos amigos, amigos dos nossos amigos, ou apenas alguns desconhecidos.

Vamos tocar em frente. Em 2010 completamos nossos 18 anos, e vamos ter muitas e muitas e muitas emoções ainda pra viver.

Aqui, quero dar um agradecimento especial a cada um dos cantusianos, esses que sabem o que é ser parte desse grupo, e àqueles que o são de coração, mesmo sem cantar, mas que sempre se emocionam quando nos ouvem, e sempre estão lá pra nos estimular a continuar juntos.

E agradecer também aos que vieram neste ano pra somar muito nesse carinho (e nesse caminho): Rubinho, Beto, Marcelo e, como não, Ramon e Daniel, que chegaram no meio do segundo tempo e na prorrogação, mas já viveram alguns dos nossos melhores momentos.

E, para encerrar o ano como ele merece, nada melhor que um bebê, que é a figura mais representativa da esperança e da renovação. Mais um pra compor o rol dos filhos que nos acompanham e ilustram nosso crescimento.

2009 foi muito feliz. Que venha 2010!

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Cem anos de solidão

20 de novembro de 2009

Estou relendo Cem Anos de Solidão.

É inacreditável a capacidade do Gabriel García Marquez de falar de tantas coisas e de tantas pessoas. O tempo e o eixo da narrativa mudam tão rapidamente que fica difícil ter certeza do que se está lendo.

Quando comecei a primeira página, tinha a impressão de ter voltado no tempo, tão cristalina foi a sensação de reconhecimento. Agora, no entanto, parece ser um texto inédito.

E pensar que, lá pelos vinte e uns anos, eu li quase todos os livros dele que já tinham sido publicados. Acho que já tinnha essa cabeça meio doida, sempre cheia de um trilhão de pensamentos, mas ainda não tinha me dado conta dela.

Ainda não tinha feito análise! Ui, acho que não quero mais voltar a fazer. Acho que, como na canção do Cazuza, vou desistir do analista, “pra nunca mais ter de saber quem eu sou”. Bem, na verdade isso não combina nada comigo. Prefiro continuar me conhecendo. Mesmo que seja com o inevitável sofrimento da terapia analítica.

Aqui no entanto nós não olhamos para trás por muito tempo,
nós continuamos seguindo em frente,
abrindo novas portas e fazendo coisas novas,
porque somos curiosos…
E a curiosidade continua nos conduzindo
por novos caminhos.
Siga em frente.
” (Walt Disney)

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