“Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração (…)
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabem alegrias e a tristeza que vier (…)”
Sérgio Britto. Epitáfio (2001).
Felizmente, não preciso escrever isso no meu epitáfio, não agora, claro! Acredito que algumas coisas eu já consegui mudar a tempo de ter um epitáfio mais sintético: não desperdicei totalmente esta vida. Mas é claro que existem algumas coisas que eu gostaria de ter feito diferente.
Uma delas é bobinha, bobinha, mas eu não teria dado nescau para milhas filhas, quando elas eram pequenas. Deixaria que tomassem leite com frutas até enjoarem do leite, se fosse o caso. Nescau é um caminho sem volta, depois que a criança toma, não larga mais.
Apesar de ter amado meu percurso como fonoaudióloga, eu adoraria ter terminado a faculdade de Enfermagem. Acho que não teria mudado de carreira, se tivesse sido enfermeira, e certamente teria acrescentado muito na minha jornada evolutiva.
Há 20 anos, quando estava na faculdade, em São Paulo houve uma campanha que dizia “largue o cigarro correndo”. Disso eu me arrependo incrivelmente: de não ter seguido a ideia. Teria parado de fumar muito antes, e já seria uma atleta, com certeza. Ainda há tempo, mas é muito mais difícil depois dos 40!
Então, para não parecer uma declaração melancólica, termino com a atual assinatura dos meus emails:
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” (Chico Xavier)
Ano passado comecei a falar de filmes que tinha visto, mas fiquei só no primeiro post. Preguiça? Vai saber, já faz tanto tempo! O ano passou, com certeza passaram vários filmes pela minha TV, ainda mais agora que descobrimos a ferramenta “elimine seu DVD player”. Alguns valem comentários.
Cartas para Julieta (Letters to Juliet, 2010). Romântico, mas com cenários maravilhosos, e boas atuações da bela Amanda Seyfried e da ainda bela Vanessa Redgrave. A história não ofende ninguém, é bem contada, e ao final do filme você tem um tantinho mais de felicidade no peito. Comprei às cegas, seguindo sugestão do Marcus, e agora ele está na minha lista de filmes para rever em família, porque as meninas também adoraram.
Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011). Estávamos folheando canais de filmes, este iria começar em seguida, o trailer chamou a atenção do Marcus, optamos por ver. Uma trama sobre as forças maiores que comandam a nossa vida. Desenrola-se de modo até coerente, mas, ao final, ficamos os dois com aquela dúvida: gostamos ou não? Isso já fala contra o filme, na minha modesta experiência. Gostei da beleza diferente da protagonista, Emily Blunt (que eu já tinha visto em O Diabo Veste Prada, mas em quem não tinha reparado muito, talvez por causa do filme ruim), especialmente em suas cenas de dança. O destaque, para mim, foi o diálogo entre um dos agentes e o personagem do Matt Damon, sobre o que os levou a oferecer e retirar da humanidade o livre arbítrio. Embora não corresponda à minha crença, não deixa de ser um ponto de vista interessante.
Além da Vida (Hereafter, 2010). Este é mais um Clint Eastwood. Sensível, mexe com a cabeça e o coração. Os personagens têm profundidade, e o que conta não é só a história, mas as relações deles com eles mesmos. Gostei muito. Curiosamente, outro filme que me encanta e que traz a temática da morte. Tem de novo o Matt Damon, mas um pouco mais atormentado do que em Agentes do Destino. Destaque para os gêmeos, George McLaren e Frankie McLaren, muito bons na interpretação.
Por enquanto, é isso.
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »“A cabeça cheia (de problemas), não importa, eu gosto mesmo assim.”
Não estou numa fase boa. Fiz planos, fiz cronogramas, mas não consegui cumprir tudo o que queria.
Voltar atrás e começar de novo é sempre mais um desafio. Só que não dá pra perder sempre. Isso tende a minar a minha confiança.
Sei que posso conseguir, mas preciso de mais determinação e disposição. Acho que a disposição tem que vir primeiro, para ser mantida com determinação.
Ainda não me sinto à vontade para falar desse assunto. Vou adiá-lo um pouco mais.
Este Atalanta está há muito tempo dormitando, porque estou incomodada com seu leiaute. Queria poucas mudanças, mas que o deixassem mais gostoso de ler, com a fonte um pouco maior, e mais espaço na coluna de textos. Bobeirinhas, mas acho que farão diferença. Marcus está me prometendo essa reforma há um tempo, e hoje entendo porque adiou tanto: é mais complicada do que eu podia imaginar.
A parte boa é que ele está trabalhando nela, e tenho certeza de que vai ficar lindo. Acho que vou ficar mais animada de escrever.
Tenho sempre tanta coisa na cabeça, tanta vontade de falar de livros, filmes, textos, virtudes que encontro em situações e pessoas, coisas que me causam indignação. Esse pode ser um bom caminho de aliviar um pouco a cabeça cheia, já que não disponho de nenhuma penseira*.
Fica aqui essa lembrança de uma letra, um poema, um caderno de papel reciclado que ganhei de presente da minha (não à toa) irmã gêmea.
“A grande borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra
E entre as duas a seta
A grande borboleta
Seja completa-
Mente solta”
(de Caetano Veloso)
* Se você não entendeu, é porque não leu Harry Potter. Mas hoje em dia não há nada que o Google não possa esclarecer.
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Assisti a uma entrevista que a Marília Gabriela fez com a Drica Moraes. Falaram, claro, sobre a leucemia.
Um trecho que destaco, entre os muitos que foram comoventes, foi aquele no qual a Drica Moraes diz que fica muito grata por as coisas mais importantes de sua vida – a medula óssea nova e o filho Mateus – terem vindo de pessoas desconhecidas.
Ouvindo a entrevista, fiquei meio orgulhosa – e me envergonho um pouco por isso – por ter me inscrito, uns meses atrás, no banco de doadores de medula óssea. Pode ser meio piegas o que eu vou dizer, mas é muito, mas muito importante haver mais e mais doadores.
Claro que não temos controle total sobre a duração da nossa vida. Claro que, de modo geral, o que tem de ser, é. Mas mesmo assim é bom haver pessoas que doam saúde para outras.
Ouvindo a Drica Moraes, fica evidente o quanto receber o transplante de medula óssea é apenas o começo de um longo processo de cura. Há muitos exames de controle, muitas restrições de convívio, de atividades físicas, de alimentação, até de cuidados de beleza. A prova não acaba com o transplante.
Fiquei tranquila de fazer parte dessa turma que se ofereceu como doador de medula. Agora só falta estabelecer a prática de doar sangue regularmente, uma das metas que me impus há alguns meses.
Assim que passar o prazo pós-tatuagem, vou ao hemocentro.
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Estamos de mudança. Não de casa, mas de quartos dentro da casa.
Temos que transportar um quarto inteiro de trecos e tranqueiras para dois armários que nem vão do chão ao teto.
A parte boa: livrar-se do lixo e encontrar relíquias, como páginas de um caderno de receitas e de escola escrito em 1981, com a minha letra e com a letra da mamãe.
Quando me mudei para Brasília, algumas das minhas caixas se extraviaram, e eu fiquei sem coisas do meu passado – diários, cadernos, bilhetes, várias coisas.
Simbólico demais. Era uma mudança de vida, e aquela acabou ficando mais para trás do que o planejado.
Então eu gostei de achar umas poucas coisas antigas, como revistas da mamãe de tricô e crochê (resgatadas já há alguns meses) e esses fragmentos do caderno com receitas.
Estou cansada demais. Vou tentar dormir.
Há muito tempo havia uma revista de cinéfilos, não lembro o nome, que parecia muito com a minha mãe. Ela adorava filmes, e tinha um bom repertório.
Quando a Globo lançou o especial 100 Anos Luz, no centenário do cinema, eu via e ficava pensando na mamãe.
Nessa revista houve uma matéria, acho, que sugeria que a gente anotasse os filmes que viu, com as informações principais e um comentário breve.
Hoje já é possível dispensar as informações, já que há vários sites sobre cinema. Mas o comentário é uma coisa boa, pra lembrar e rever mais tarde. Quem sabe até rever a opinião, depois que se assistir novamente ao filme.
Então, vou tentar registrar os filmes que vi neste ano de 2011.
O primeiro foi Things we lost in the fire, que em português ficou Coisas que perdemos no caminho. (Eu poderia dizer que só o Benício del Toro já vale o filme, mas fiquei meio insegura, depois que vi o trailer de O Lobisomem.)
Eu gostei muito do filme, porque é do tipo que eu gosto, filme de personagens, mais do que de história. E mesmo assim tem um bom roteiro e uma boa fotografia. E o Benício del Toro está mesmo excelente, assim como os outros atores.
Esse é um que eu recomendo.
Aproveito para agradecer à Amanda, minha maninha, pela dica. (Beijo, querida. Saudades de você.)
O outro foi O segredo dos seus olhos. Esse é mais difícil de descrever. Há os atores, que são bons, e os personagens, que foram bem caracterizados, a ponto de não sabermos ao certo se foram envelhecidos, rejuvenescidos, ou os dois.
Mas há algo mais profundo, que é a história de amor (ou as histórias de amor) por trás de uma história de violência. Um filme envolvente, tanto pelo mistério como pelas relações que se estabelecem entre as pessoas.
Também gostei muito dele. E também recomendo.
(Vamos ver se vou lembrar de falar daqueles de que não gostei.)
=)
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Terminei de ler o Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia, do Nelson Motta. Eu ganhei de Natal do Rômulo, meu compadre e irmão, o Noites Tropicais, também dele, mas, como já tinha, troquei por esse, que ele também tinha pensado em me dar.
Gostei da leitura, porque o Nelson Motta escreve com muita facilidade. Mas o Tim Maia era uma pessoa muito peculiar. Foi difícil avaliar as emoções e os sentimentos em relação a ele. Apesar de não ter nenhuma direito e nenhuma necessidade de avaliar ninguém, assim como ele também não vivia para ser avaliado, fiquei com sentimentos bem ambíguos.
O cara tinha uma maneira toda particular de tratar as pessoas. Ajudava muita gente, mas também dava o cano em outras tantas pessoas. Era muito bom de música, mas nos maus momentos lançou discos com reprises ou regravações bem mais ou menos, para ter o que lançar. E, mais do que tudo, cuidou muito mal de seu corpo e sua saúde, e só parou para pensar nisso de verdade quando já não dava mais tempo de reverter os danos. Muito louco.
Mas o bom desses dois livros que li do Nelson Motta foi reviver muita coisa que de fato acompanhei, já que era louca por música, especialmente no Noites Tropicais, mas também nesse do Tim Maia. Deu saudade de muita coisa boa, e vontade de baixar vários discos antigos.
=)
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Tenho sempre saudade deste Atalanta, e às vezes me animo a deixá-lo ativo novamente.
Revendo os rascunhos, encontrei esse texto aí embaixo, sobre o Meet Joe Black, e concluí que, se fosse escrito hoje, seria um tanto diferente.
Depois de frequentar a SEAE durante um semestre inteiro, fui modificando meu modo de pensar sobre a morte, que hoje não vejo senão como uma passagem, um momento para uma nova etapa.
Não temer a morte me conforta, por causa da certeza de continuidade. Mas sei que tenho um longo caminho a percorrer, para aprender a lidar com as fragilidades de hoje.
O fato de estar de férias do Cantus me traz apenas esta alegria: poderei continuar na SEAE aos sábados por mais alguns meses, conhecendo pessoas e conceitos, ouvindo e, se Deus quiser, aprendendo sempre.
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »(Post escrito em 2008, e revisto hoje.)
Recentemente, comprei um dvd triplo com Encontro Marcado, Amor Além da Vida e Por Amor. Na verdade já faz uns meses, e só na semana passada lembrei de assistir.
(…) Comecei a escrever isso há quase um mês, mais ou menos na época em que assisti ao filme. E foi num momento peculiarmente interessante, em que o tema morte estava se fazendo presente em situações as mais diversas. Houve aquele assassinato da adolescente em São Paulo, eu comecei a cantar num coral espírita e surgiram assuntos da Doutrina, e eu estava lendo A Poderosa e a avó da menina morre. Enfim, não lembro mais, pelo menos não detalhadamente, mas houve outros exemplos.
Aí fomos ver Meet Joe Black, ou Encontro Marcado, como foi chamado no Brasil. Eu não lembrava que era tão bem humorado. O tema é pesado, a morte vir buscar o cara e fazer um acordo com ele? Fala sério! Mas tem um humor muito maneiro, fora que o Brad Pitt está demais de lindo! E, pra que o Marcus não fique enciumado, devo admitir que a atriz, a Claire Forlani, também está linda, de um jeito até desconcertante.
Eu amei! De novo. E é bom ter, para ver o quanto quiser. Se pensarmos bem, é muito mórbido receber a visita da morte e saber que ela só está à espera do melhor momento pra nos levar embora. Mas, como eu não tenho medo de morrer, achei bom ver outras maneiras de representar esse momento de conformidade com o fato de que, na vida, a única certeza que temos é a de que vamos morrer. E, com uma Morte tão divertida e espirituosa, a morbidez ficou bem leve e agradável.
Como espírita, eu não acredito nessa entidade A Morte. Mas o simbolismo de ter uma pessoa encarnando a morte ficou coerente, fez um sentido confortador. E a trilha é muito boa, especialmente a execução do Israel Kamakawiwo’ole de Somewhere over the rainbow e What a wonderful world.
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Ai, que preguiça que eu tenho de gente que adora reclamar, reclamar, reclamar…
No último fim de semana, num grupo de estudos do Livro dos Espíritos, uma colega comentou de uma fala de um pastor, que era mais ou menos assim: em vez de ficarmos amaldiçoando os políticos ruins, seria bom se nós fizéssemos uma mentalização, desejando que eles sejam iluminados e mudem sua conduta. Essa é uma forma resumidíssima de dizer isso. Mas faz sentido. Se podemos desejar coisas impossíveis, porque acreditamos na sua possibilidade, por que não desejar, uma vez que o povo não pôde escolher melhor, que pelo menos os políticos possam agir melhor?
Mas o meu objetivo, na verdade, ao sentar aqui para escrever, foi falar da reclamação do povo sobre a não obrigatoriedade de se levar o título de eleitor para votar. Ora, não ser obrigado a levar não é igual a não poder levar. E mais: não ser necessário levar não implica que o título não tenha importância. Você pode não ter o papel, mas precisa ter o registro, porque, sem ele, aí sim é que não pode votar.
Que tal reclamar de coisas mais significativas? E, de quebra, propor soluções?
A minha proposta é que, no novo registro de identidade que vem por aí, o do chip, se possa colocar todos os outros registros, pelo menos até termos um registro único, a partir da nossa impressão digital, feito quando a gente nasce.
=D
Por Vanessa em Sem categoria | Nenhum comentário »Texto e ilustrações de Brian Selznick, que inspiraram o belo filme de Martin Scorsese. Totalmente recomendado, não foi à toa que virou filme. Os desenhos, maravilhosos, não são apenas ilustração, mas compõem a narrativa. Fantástico para quem gosta das letras e para quem gosta das imagens. É um bom presente para qualquer idade.

Difícil afirmar isso, principalmente pra uma fã tão incondicional como eu, mas tenho considerado muito a possibilidade de encarar o Sortimento como o melhor disco da Zélia Duncan. Diria que é um dos discos obrigatórios de quem gosta da “nova” música brasileira.
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É um belo filme. Aos que dizem que não é para crianças, acho que posso dizer que as crianças que eu vi assistirem gostaram tanto, que repetem seguidas vezes. Um filme sobre amizade, sobre amor e sobre como dar a volta por cima.