Eu sou uma pessoa de sorte, mesmo. Mas com certeza não é por
ter um bom acesso à inernet, já que fiquei quatro dias com o
último texto pronto, esperando uma conexão que me permitisse
enviar pro Blogger. Enfim, coisas da internet e da informática.
Por que, então, tenho sorte? Porque estava assistindo
despretensiosamente ao Multishow, mais pra tentar me decidir
se cancelamos mesmo a Net ou se continuamos com a tv a cabo,
já que assistimos com muito prazer a alguns canais da Globosat.
Bom, então vi uma propaganda sobre o programa
Música Brasileira,
apresentado pelo João Marcello Bôscoli. Fiquei a fim de ver, mas
não muito animada, porque sempre esqueço ou nunca estou em
casa na hora dos programas que me agradam. Mas, como eu disse,
sou uma mulher de sorte, e o tal programa ia passar daí a 20
minutos, bem na minha frente. Peguei uma fita pra gravar e
fiquei esperando.
Vou falar do que mais deu prazer ao ver esse programa: o Funk
Como Le Gusta. Cara, é um lance esquisito, porque eu já tinha
ouvido alguma coisa deles no rádio e acho que nem gostei muito.
Mas, vendo ali, aquele público dançando, aquelas 13 pessoas (foi
o que eles disseram, porque não consegui contar) tocando com
alma, pelo prazer mesmo de fazer música, eu gostei pra caramba.
Mas não foi só gostar da banda, não. Pensei assim:
bom, deve ter um monte de gente que vai achar esse som
um lixo, mas essa banda não é pra quem gosta da
música deles, do estilo deles. Não se trata de gostar de funk,
soul, hip hop ou seja lá o que for. Aquela era uma banda pra
quem gosta de música
.
(leia-se
ponto) Fiquei morrendo de vontade de estar lá
naquele auditório, ouvindo e dançando com eles. Depois deu vontade
de tocar naquela banda, ou cantar com eles, que é o mais
próximo que eu poderia chegar de fazer parte daquela música.
Lembrei com muita, mas muita mesmo, saudade dos shows que a gente
via em São Paulo, do
Gueto , do Luni, do Fábrica Fagus, quando
eu até pensava que estava lá por causa das canções, mas que nada,
era por causa do jeito como os caras tocavam, do tanto que era
bom ver o jeito deles, mesmo quando faziam ao vivo canções inéditas,
e a gente dançava e até cantava os refrões com o maior gosto.
Cara, era muito bom. Dava vontade de fazer parte daquilo,
tocar qualquer coisa, "berrar" (como dizia o Ricardo) no fundo
dos vocais, sei lá, qualquer coisa só pra poder fazer música.
Foi isso que senti ouvindo e vendo o Funk Como Le Gusta no programa
do João Marcello, e foi também como me senti ouvindo a banda
do Tim Maia, a Banda Vitória Régia, tocando na homenagem feita a ele
na entrega do
Prêmio Multishow de Música Braslileira desse ano.
Não importa se o Tim Maia era estrela, fazia música brega ou
o que for. A música estava ali, no que ele fazia.
E, já que falei de novo do Multishow, estou pendendo mais pro
lado de não cancelar a assinatura, porque quem gosta de música
brasileira tem que ter esse canal.