Todo mundo sabe que o Programa do Jô já deu o que tinha que dar, que ele anda
mais deslumbrado do que nunca, que de vez em quando tem levado uns foras de seus
entrevistados quando tenta dar uma de superior pra cima deles, que a Globo
enfia lá uns atores que andam sumidos só pra fazer valer seus contratos, enfim,
que há muito tempo deixou de ser aquele programa imperdível.
Mesmo assim, eu confesso que, naqueles dias em que a insônia dá
sinal de vida e que a televisão é uma parada obrigatória, dou uma espiada
nos convidados e espero pra assistir, se houver alguma coisa ou alguém
interessante.
Ontem eu nem estava com insônia, mas cochilando na frente da tv. Acordei vendo
a
Zizi Possi
e sua filha Luiza Possi sentadas na poltrona do Jô, prestei atenção
uns segundo e resolvi escutar a entrevista. Um saco! Ridícula a posição da Zizi,
desconfortavelmente feminina, com vozinha de boba, rindo e sendo cúmplice do
Jô em brincadeirinhas sem-graça de sacanagem. E Luiza, sem lugar, calada,
rindo também das brincadeiras, mas esforçando-se pra manter uma postura
que não deixasse feia sua roupa de perua... Enfim, um samba do crioulo doido.
Felizmente, a hora da canja. Independente de gostar ou não das coisas que a Zizi
canta, ou do modo como ela o faz, quem canta ou gosta de cantar tem de reconhecer
que a voz dela é no mínimo invejável. Tem um timbre diferente, é muito afinada,
é criativa na maioria das canções, sei lá, é muito boa. Aí eu vi a filha
subindo com ela no palco e pensei: "cara, que responsabilidade!"
Mas felizmente tive um agradável surpresa. A menina é de fato a versão (bem)
melhorada de sua mãe. É mais bonita, canta bem, eu diria que tão bem quanto
a mãe, mas tem uma voz muito mais bonita! Difícil até afirmar isso. Mas a voz dela
é mais ousada, tem mais variação na qualidade vocal (ou timbre), é mais agradável
aos ouvidos. Só o que falta é a tranqüilidade e a segurança com que a mãe
brinca com a voz, coisa que Luiza certamente adquirirá com o tempo.
Deu pra perceber o orgulho com que a Zizi olhava pra ela, e eu, como mãe
babona que sou, não admiro nem um pouco, pois ficaria exatamente como ela
se pudesse compartilhar com minha filha esse talento em comum.
Felizmente pra Zizi, o tempo que dará à filha a mesma facilidade que a mãe tem
pra cantar não poderá tirar-lhe o espaço conquistado com seu próprio
talento.