Ontem eu estava voltando pra casa cantando canções do Chico Buarque. Primeiro Tatuagem, depois me vieram à memória (de forma capenga, por causa do mofo e das teias de aranha) Trocando em miúdos, Atrás da porta e Olhos nos olhos. E aí eu pensei: eu já tinha dito que ao Chico, ou ao seu talento, faz falta uma censura como a dos tempos da ditadura (Deus nos livre dela!), porque as canções daquela época eram muito mais recheadas de artimanhas da língua, pra driblar os censores. Se bem que a inteligência deles talvez não necessitasse muito esforço, é muito legal pensar nos ditos não ditos das canções do Chico censurado.
A Tati discordou de mim dizendo que Futuros amantes é provavelmente a melhor canção de Chico Buarque, com o que eu tenho que concordar plenamente. Mas se pensarmos no geral de suas composições atuais, as antigas têm muito mais sabor.
E aí, ontem, pensei ainda que também o processo, digamos, feminista, a mudança nos casamentos e na posição da mulher em relação aos relacionamentos amorosos, também isso foi muito inspirador pra o Chico, porque suas canções com sujeito feminino são
( )... me faltam as palavras. Vou tentar me explicar: eu cantava e sentia os efeitos daquelas histórias de separação, que não são minhas, porque não passei por iss, mas pensava na minha mãe, em mães que conheci quando era criança e, por que não dizer, em personagens como a Malu de Malu mulher, e era aquilo mesmo que as mulheres viviam naquelas situações.
Não acho de jeito nenhum que tenhamos que ter censura de novo, nem acho que deve haver uma nova "revolução" no comportamento feminino, mesmo porque não acredito nisso que se diz muito por aí, que as mulheres são discriminadas. Não acho nem que seja necessário que o Chico Buarque volte a compor como antes, porque vejo um repertório bom como o dele como uma coisa eterna (que clichê!). Mas foi interessane pensar que talvez os "temas" atuais não ofereçam tanta inspiração, e que essa pode ser uma razão pra que pouquíssimos compositores de hoje sejam capazes de compor com criatividade e inteligência.
Por Vanessa às
11:31 |
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